Da redação
Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, anunciaram em junho de 2024 que editaram genes de embriões humanos em estágio inicial com uma técnica considerada mais precisa do que métodos anteriores. O estudo busca avaliar a possibilidade de corrigir mutações causadoras de doenças hereditárias antes do nascimento, reacendendo discussões éticas e científicas.
A equipe utilizou a chamada edição de bases, que modifica letras específicas do código genético sem realizar cortes no DNA, ao contrário do método Crispr tradicional. Eles conseguiram alterar genes como o PCSK9, associado ao colesterol LDL, e o HBG, ligado à produção de hemoglobina fetal, com redução dos danos graves observados em técnicas anteriores.
Segundo os responsáveis pelo experimento, as alterações genéticas foram implementadas com sucesso nos embriões em suas primeiras fases de desenvolvimento, e não houve grandes danos ao DNA — o que era uma preocupação recorrente em estudos parecidos. Entretanto, nem todas as células dos embriões foram editadas igualmente, fenômeno conhecido como mosaicismo.
O mosaicismo representa um desafio relevante, pois dificulta a previsibilidade dos efeitos decorrentes da edição genética durante o desenvolvimento do embrião. Especialistas classificaram a pesquisa como um avanço, mas ressalvaram seu caráter inicial e experimental, enfatizando que ainda não há perspectiva para aplicação clínica em reprodução humana.
Os objetivos atuais buscam evitar doenças genéticas severas em famílias de alto risco. Contudo, persiste o receio de que a tecnologia possa ser empregada futuramente para selecionar características sem relação com saúde, alimentando o debate sobre os chamados “bebês projetados”. Muitas dessas características dependem de múltiplos genes, o que torna sua manipulação inviável por enquanto.
Os próximos estudos pretendem aprimorar a técnica reduzindo o mosaicismo e aprofundando as avaliações de segurança. O avanço demonstra ganho de precisão na edição genética. No entanto, o limite ético sobre até onde levar intervenções em embriões humanos permanece como uma das principais questões em aberto.





