Início Mundo Colômbia realiza eleição presidencial sob polarização e alta preocupação com violência

Colômbia realiza eleição presidencial sob polarização e alta preocupação com violência


Da redação

Neste domingo (31), os colombianos vão às urnas para avaliar o primeiro governo de esquerda do país nas eleições presidenciais, em meio ao avanço da ultradireita e a uma onda de violência. A votação será realizada apenas para presidente e vice-presidente, com o Congresso já definido em março deste ano.

A disputa ocorre dez anos após o acordo de paz com as Farc e coloca a criminalidade novamente como principal preocupação do eleitorado. De acordo com pesquisas recentes da Invamer, três candidatos lideram a preferência: Iván Cepeda, apoiado por Gustavo Petro, Abelardo de la Espriella, e Paloma Valencia, representante do Centro Democrático.

Cepeda lidera com 44,6% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada na última semana, com margem de erro de três pontos percentuais. Filósofo formado na Bulgária, ele é senador e conhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos e articulação política pelo fim de conflitos armados na Colômbia.

Espriella, advogado sem experiência política prévia e candidato a “Bukele colombiano”, subiu de 21,5% para 31,6% das intenções entre abril e maio. O advogado ficou famoso por defender clientes notórios, como membros de grupos paramilitares e nomes envolvidos em grandes escândalos. Durante a campanha, prometeu ações rígidas de segurança e afirmou que assinaria a extradição de Petro caso fosse necessário.

Paloma Valencia, com 14%, é neta de um ex-presidente e tenta consolidar-se como nome da direita tradicional, mas ficou atrás de Espriella nas últimas semanas. Outros candidatos, como Sergio Fajardo e Claudia López, não alcançam 3% cada, evidenciando a polarização do pleito alimentada pela divisão entre apoiadores e críticos do governo Petro.

O contexto de violência marca as eleições, incluindo o assassinato do pré-candidato Miguel Uribe Turbay em 2023 e relembrando episódios semelhantes das décadas de 1980 e 1990. Familiar de vítimas do conflito, Cepeda tornou-se referência nos pedidos de reparação e iniciativas de paz, elementos centrais em sua trajetória política.