Com oposição pequena, Câmara Legislativa deixa o “Novo Caminho” a vontade no Distrito Federal

cldfEm dois anos de governo Agnelo/Fillipelli, a falta de planejamento e os recursos mal empreendidos, têm vindo à tona de maneira negativa para os dois em 2013. E isso acontece sem que a “governista” Câmara Legislativa, exerça seu papel, o de fiscalizar o governo.

Áreas como Saúde e Segurança Pública têm sido “coqueluches” do “Novo Caminho”. A população sofre com o descaso que se abateu sobre as duas áreas, que estão praticamente na UTI: a violência disparou nesse inicio de ano,  somando 21 homicídios, e a falência da Saúde, nem precisamos tecer maiores comentários, está a olhos nus.

O que chama mais atenção nesse momento que o DF passa, é a imobilidade de alguns setores da política local. Raramente as correntes oposicionistas se manifestam, e quando  o fazem, é por meio das redes sociais e de forma tímida, pois são poucos políticos que conseguem manter a oposição viva. Outro ponto interessante é que, parece que ainda vivemos casos de censura, onde a moda agora é a “arapongagem virtual”.

Mas o maior “tapa na cara” que o cidadão vem recebendo ao logo dos dois anos de “Novo Caminho”, é a letargia e subserviência da Câmara Legislativa. Este defeito é, inclusive, a marca desse poder nos últimos tempos. A Casa de Leis não faz o papel que lhe é devido, o de órgão fiscalizador, que cobra do governo o que tem que cer feito. Foi para isso que os deputados distritais foram eleitos, mas parece que pouco se lembram disso. Falando de maneira direta, não é segredo para ninguém que o atual quadro do poder legislativo de Brasília só dá um passo á frente, se o Palácio do Buriti permitir.

Esse rótulo se deve ao fisiologismo sem fim, a troca de favores entre parlamentares e o poder executivo, traduzindo em cargos nas secretarias, administrações, enfim, onde couberem seus apadrinhados. Com isso a sociedade de Brasília fica sem voz e os 21 distritais que fazem parte da base de apoio petista, ignoram as vozes das ruas.

Neste tempo de caos da Saúde não se viu um deputado “aliado” sequer cobrar providências ao Poder Executivo ou mesmo se posicionar a favor da população. Ao contrário, os parlamentares, em 2012, enterraram a CPI da Saúde, que poderia abrir a caixa preta do sistema, já que o governador Agnelo Queiroz tem o cansado discurso de que pegou uma herança maldita.

Um exemplo claro que a atual Câmara Legislativa se esquiva do poder de fiscal, é o projeto Nota Legal. Quando o GDF decidiu reduzir o desconto para quem pagasse o IPTU e o IPVA, apenas uma parlamentar entre os 24 distritais se posicionou e tentou reverter a situação, mesmo assim, sem o efeito esperado. O governo só voltou atrás quando a OAB-DF, na figura de Ibaneis Rocha, entrou na briga. É bom ressaltar que quando o órgão tentou intervir, Ibaneis estava na presidência há apenas sete dias, oficialmente, mostrando uma postura completamente diferente de seu antecessor, Francisco Caputo.

Ao contrário do que aconteceu nos dois primeiros anos, a população de Brasília quer que os deputados saiam das rédeas do Agnelo, e enfim, sirvam a quem os colocou lá: os eleitores. Afinal, o resultado de tamanha lentidão, pode ser uma renovação histórica na Câmara Legislativo, que se mostra conivente em sua maioria, com o caos instalado no Distrito Federal.

Por Odir Ribeiro e Ricardo Faria

Fonte: Guardian Notícias

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