Início Política Com SUSP obrigatório, União ganha competência para operacionalizar segurança pública

Com SUSP obrigatório, União ganha competência para operacionalizar segurança pública

Com SUSP obrigatório, União ganha competência para operacionalizar segurança pública

Da redação

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública foi aprovada pelo Senado nesta terça-feira (3), sete meses após passar pela Câmara. Especialistas ouvidos pela Folha apontam avanços contra o crime organizado, mas dizem que a implementação será decisiva. A maioridade penal será discutida em proposta à parte.

O principal eixo é o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado em 2018, no governo de Michel Temer (MDB), mas ainda sem integração efetiva. A PEC o torna obrigação constitucional e dá à União competência para operacionalizar o setor. Hoje, sistemas das polícias estaduais nem sempre se comunicam.

A PEC veta o contingenciamento de fundos e prevê repasse gradual, até 2029, de 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal à segurança. Também amplia atribuições da Polícia Federal e autoriza a Polícia Rodoviária Federal (PRF) a atuar em ferrovias e hidrovias.

A PEC permite criar polícias municipais, conhecidas como guardas civis, e prevê custódia de líderes de facções e milícias em presídios de segurança máxima, com restrições à progressão de regime. O ex-promotor de Justiça Paulo Brondi, do Ministério Público de Goiás, diz: “É um primeiro passo, mas não o suficiente”.

Brondi questiona o controle externo das polícias municipais. O criminalista Daniel Allan Burg vê integração como avanço, mas cobra definição sobre coordenação e compartilhamento. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública celebrou a PEC, apontou problemas estruturais e defendeu recriar o Ministério da Segurança Pública com autonomia, orçamento e equipe próprios.