Da redação
No Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas, celebrado neste 14 de abril, o foco recai sobre as mulheres, destacando a necessidade de combater a negligência e o estigma relacionados à doença congênita. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das mulheres afetadas foi infectada da mesma forma que seus familiares e vizinhos, não sendo fonte primária de infecção, como já foi estigmatizado.
A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pela picada do inseto barbeiro, ainda pode ser adquirida por alimentos ou bebidas contaminadas. Entretanto, meninas e mulheres em idade fértil continuam sendo ignoradas em políticas de informação e educação, o que gera consequências graves. De acordo com a OMS, até um terço das mulheres infectadas desenvolve problemas cardíacos, aumentando os riscos durante a gravidez para mãe e bebê.
A OMS aponta que a doença de Chagas registra, anualmente, 8 milhões de casos e 10 mil mortes em todo o mundo, além de colocar 100 milhões de pessoas sob risco de contaminação. A transmissão congênita ocorre em 3% a 5% das gestações e se tornou a principal via de infecção em locais onde o controle do vetor já foi alcançado. A testagem e o tratamento de recém-nascidos no primeiro ano garantem até 90% de chance de cura.
Em mensagem para o Dia Mundial, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, pediu mais apoio governamental no rastreio de grávidas e testagem de recém-nascidos de mães infectadas, tanto ao nascimento quanto após 8 meses, para evitar diagnósticos perdidos.
A doença recebe esse nome do infectologista brasileiro Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas, que morreu em 1934, sendo reconhecido como o primeiro a descrever de forma completa uma doença infecciosa.






