Da redação
O comitê de clientes do caso Mariana, referente ao rompimento da barragem do Fundão em Mariana (MG), decidiu substituir o escritório Pogust Goodhead, que representava milhares de brasileiros na Justiça da Inglaterra, pelo Bailey Glasser International, dos Estados Unidos. A mudança, resultado de meses de conflitos, ocorreu devido a alegações de que o Pogust violou compromissos contratuais e não respondeu adequadamente a questionamentos do comitê.
A troca de representantes gerou uma disputa judicial no Reino Unido. O Pogust afirmou que o comitê não teria legitimidade para destituí-lo, enquanto o grupo manteve que tem poder para deliberar sobre a representação das vítimas. O juiz Adam Constable decidiu reunir as ações das duas partes em um único processo e marcou audiência para outubro para discutir os poderes do colegiado. A CEO do Pogust, Alicia Alinia, declarou que a decisão é uma vitória para os clientes, enquanto o Bailey Glasser avaliou que a medida é apenas processual.
O comitê, criado para representar mais de 400 mil clientes, foi abalado após a saída do advogado Thomas Goodhead do Pogust. A saída de Goodhead resultou em mudanças em mais de 20 membros da equipe. Posteriormente, houve tensões envolvendo a entrada do fundo Gramercy, que investiu mais de US$ 600 milhões no escritório Pogust, e a contratação do Quinn Emanuel, cuja participação foi questionada pelo comitê. Segundo interlocutores do grupo, havia receio de que acordos favorecessem mais os investidores do que as vítimas.
Além do embate com o Pogust Goodhead, o Ministério Público Federal acusa o escritório de impor cláusulas abusivas em contratos com clientes brasileiros, restringindo o acesso das vítimas à Justiça no Brasil. Entre as reclamações, estão limitações para receber indenizações em território nacional e obrigatoriedade de repasse de valores ao escritório em caso de acordo dentro do Brasil. O Pogust nega as acusações.





