Da redação
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a ampliação da autonomia da instituição durante depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, nesta quarta-feira, 8. Galípolo pediu apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que prevê autonomia financeira, orçamentária e administrativa ao BC, permitindo que a entidade faça gestão direta de seus recursos e contratações, desvinculando-se do orçamento da União.
A PEC é de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), com relatoria de Plínio Valério (PSDB-AM) e apoio de líderes como Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A proposta pode ser votada em plenário ainda na próxima semana. “Desde a minha sabatina, eu já venho tratando disso. Pedi apoio de início, pedi ajuda e agora peço socorro”, afirmou Galípolo, ao defender mais instâncias de controle e fiscalização, garantindo transparência ao Banco Central.
Enquanto isso, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), destacava à imprensa uma proposta oposta. Ele apresentou, como prioridade da bancada, um projeto que subordina o Banco Central a um controle externo, parte da chamada “pauta antissistema” do partido. O projeto também prevê o alinhamento do mandato do presidente do BC ao do presidente eleito.
Uczai criticou a política monetária do Banco Central, citando decisões que, em sua opinião, permitiram casos como o do banco Master. “Nós queremos avançar no tema do Banco Central, não para subordiná-lo ao Ministério da Fazenda, mas à democracia e à política econômica”, declarou. Para ele, a autonomia “absoluta” do BC representa “subordinação a um setor da sociedade que eu chamaria de capitalismo especulativo, em detrimento do capitalismo produtivo”.
A divergência explicita o contraste entre o posicionamento do presidente do Banco Central e a orientação do partido que o indicou ao cargo, revelando um embate sobre o futuro da condução monetária no país.



