Da redação
Uma análise recente do Programa Alimentar Mundial alerta que conflitos no Oriente Médio e preços elevados do petróleo podem agravar a insegurança alimentar e aumentar o número de pessoas em situação de fome em países vulneráveis. O relatório foi divulgado em março e destaca impactos em Somália, Sri Lanka e Afeganistão.
Segundo o levantamento, projeções apontavam para 45 milhões de pessoas com insegurança alimentar aguda, número que já começa a se concretizar. A agência das Nações Unidas indica que, nesses três países, mais de seis milhões de pessoas enfrentam dificuldade para suprir necessidades alimentares básicas: 2,5 milhões na Somália, 2,3 milhões no Afeganistão e 1,3 milhão no Sri Lanka.
O relatório, intitulado “Segurança alimentar sob pressão: Como a crise no Oriente Médio está a impactar países vulneráveis”, relaciona alta nos preços de combustíveis e alimentos, perda de renda e perturbações no comércio às vulnerabilidades já existentes nessas regiões. Esses fatores aumentam o risco de fome aguda entre as famílias.
Jean-Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do WFP, afirma que “estes dados confirmam o cenário previsto pela agência ainda este ano”. Ele destaca ainda que a crise pode empurrar milhões de pessoas adicionais para a fome, afetando especialmente famílias pobres e grupos rurais marginalizados, como os pastores na Somália.
O documento identifica que populações urbanas extremamente pobres também estão entre os novos grupos atingidos pela insegurança alimentar. Nações marcadas por conflitos, choques climáticos, dificuldades econômicas ou alta dependência de importações estão entre as mais expostas ao agravamento desse quadro.
O WFP ressalta que o sistema humanitário global sofre crescente pressão. De acordo com estimativas, serão atendidas 1,5 milhão de pessoas a menos do que o previsto em 2026. Bauer alerta que “mesmo que o conflito terminasse hoje, já foram causados danos irreversíveis” e destaca a ameaça à assistência para mais de nove milhões de pessoas nos próximos meses.





