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Conflito no Oriente Médio ameaça empurrar 32 milhões para a pobreza ainda este ano

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Da redação

Com o conflito no Oriente Médio entrando na quinta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou ser evidente que “não existe solução militar” para a crise. Em nota divulgada por seu porta-voz após negociações entre Estados Unidos e Irã neste fim de semana no Paquistão, Guterres afirmou que, embora nenhum acordo tenha sido alcançado, “as discussões em si ressaltaram a seriedade do engajamento” e constituíram um “passo positivo e significativo rumo a um diálogo renovado”. Ele defendeu que o diálogo prossiga e pediu respeito ao cessar-fogo, ao fim de todas as violações, além da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

A escalada militar já impacta a economia global. Estimativas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apontam que o conflito pode levar até 32 milhões de pessoas à pobreza até o final do ano e atingir 162 países. Os maiores prejuízos são previstos para as nações afetadas diretamente e as dependentes de energia importada. O cálculo do Pnud estima que o PIB coletivo da região pode sofrer perdas de 3,7% a 6%, ou seja, entre US$ 120 bilhões e US$ 194 bilhões.

No fim de semana, negociações entre EUA e Irã terminaram sem acordo. Segundo agências de notícias, o governo norte-americano anunciou bloqueio aos portos iranianos, aumentando a preocupação com o comércio marítimo. Máximo Torero, economista-chefe da FAO, alertou para o risco de aumento nos preços dos alimentos devido a atrasos no transporte de insumos pelo Estreito de Ormuz, impactando os ciclos de plantio no mundo.

No Líbano, o número de civis mortos passou de 2 mil desde o início do conflito, segundo autoridades locais. Mais de 1,1 milhão de pessoas estão deslocadas, incluindo cerca de 390 mil crianças. O Unicef alerta para o aumento de riscos às crianças, como separação familiar, sofrimento psicológico e exposição a doenças em abrigos superlotados.

A situação dos socorristas também se agravou. Desde 2 de março, 57 profissionais de saúde morreram e ao menos 158 ficaram feridos em ataques, segundo a OMS. No domingo, um paramédico da Cruz Vermelha Libanesa morreu após ataque de drone israelense. O coordenador humanitário da ONU no Líbano, Imran Riza, lamentou a morte, ressaltando a necessidade de proteger os socorristas.