Da redação
A crise humanitária no Haiti tem se intensificado diante de violência armada, instabilidade política e restrições à atuação humanitária. Segundo relatório publicado em abril pelo Programa Alimentar Mundial (WFP), 5,8 milhões de pessoas enfrentam o risco de insegurança alimentar aguda em todo o país caribenho.
De acordo com responsáveis da ONU pelos direitos humanos, entre 6 de março e 16 de maio, confrontos entre gangues provocaram a morte de ao menos 390 pessoas em Cité Soleil e Croix-des-Bouquets. Os confrontos resultaram ainda em ataques a casas, incêndios a 87 habitações e prédios públicos, e restrição dos serviços de saúde e educação.
Os bloqueios impostos pelos grupos armados afetam severamente a distribuição de ajuda humanitária, privando cerca de 60 mil pessoas do acesso à assistência, segundo o WFP. Além disso, relatos apontam para o uso de violência sexual como forma de punição entre as facções, e há registro de pessoas atingidas enquanto fugiam dos conflitos ou por suspeita de colaboração.
Projeções do Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) indicam que, entre março e junho de 2026, mais de 4 milhões estão em crise alimentar (fase 3) e outros 1,8 milhão em emergência (fase 4). A ONU destacou agravamento da violência em Porto Príncipe, enquanto comunidades enfrentam subida dos preços dos combustíveis e aumento dos custos de transporte.
Entre 10 e 15 de maio, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) constatou o deslocamento de mais de 10 mil pessoas, quase o dobro da estimativa inicial. Mais de 70% dos deslocados estão instalados em 20 locais, exercendo pressão crescente sobre serviços de saúde, dos quais apenas 11% das unidades de internamento permanecem em pleno funcionamento em Porto Príncipe.
Em março, o WFP forneceu assistência alimentar e nutricional de emergência a mais de 118 mil haitianos. Adicionalmente, ações de prevenção e tratamento nutricional beneficiaram ao menos 22 mil pessoas, incluindo crianças pequenas e mulheres grávidas ou lactantes. Contudo, o acesso a serviços essenciais segue comprometido em partes da capital devido à insegurança vigente.






