Da redação
Mais de 1,4 milhão de sírios retornaram ao país desde janeiro de 2025, segundo dados da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). A maioria voltou a partir da Turquia, Líbano e Jordânia, além de Iraque e Egito. Muitos refugiados afirmam que as razões que levaram à fuga deixaram de existir e destacam o desejo de reunir-se com as famílias.
A porta-voz do Acnur na Síria, Céline Schmitt, informou à ONU News que o número total inclui cerca de 2 milhões de deslocados internos, sobretudo do norte e nordeste sírio. Apesar do retorno, confrontos recentes em Alepo, nas áreas de Sheikh Maqsood e Ashrafieh, obrigaram mais de 100 mil pessoas a fugir; aproximadamente 80% já regressaram às suas casas. Os combates no nordeste provocaram novas ondas de deslocamento, com dezenas de milhares buscando refúgio em famílias de acolhimento ou campos de deslocados.
O Acnur concentra a assistência de emergência em meio ao rigoroso inverno, fornecendo transporte, subsídios em dinheiro e reabilitação de moradias para retornados. A agência reforça também a importância da documentação civil, atuando na emissão de documentos essenciais em 79 centros comunitários e na reabilitação de conservatórias do registro civil.
A proteção à saúde mental, prevenção da violência baseada em gênero e apoio à proteção infantil são prioridades. O Acnur ainda oferece auxílio para criação de pequenos negócios e reinserção econômica dos retornados.
No campo de Al-Hol, no nordeste da Síria, o fornecimento de água e pão foi temporariamente interrompido, mas já foi restabelecido. A principal demanda das famílias é acesso a serviços básicos e soluções duradouras, processo que o Acnur conduz com o governo sírio. A agência atua em parceria com ONGs locais e autoridades para apoiar o retorno e a reintegração diante do quadro de persistente necessidade humanitária.



