Da redação
A derrota eleitoral de Donald Trump nos Estados Unidos, na terça-feira (3), tirou dos republicanos a maioria na Câmara e no Senado. O resultado pode frear intervenções da Casa Branca na América Latina e incentivar um acordo comercial com o Brasil, avaliam especialistas ouvidos pela Agência Brasil.
Trump defende a “proeminência” e a “dominação” dos EUA na região, com medidas para conter a influência chinesa. Em janeiro, os EUA invadiram a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro. Depois, um acordo com Caracas reservou 21% do petróleo a uma empresa ligada ao Pentágono, com parte vendida a preço de custo.
A professora de Relações Internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), prevê limites a gastos externos e investigações contra integrantes do Executivo. “No âmbito da defesa, isso vai ser muito importante. Eu imagino que o Congresso tende a sustar os gastos desse setor”, disse.
O governo brasileiro vê as tarifas de Trump como interferência política nas eleições de outubro, em favor do adversário de Luiz Inácio Lula da Silva. O doutor em Ciência Política Juliano Machado Pires vê na derrota estímulo a um acordo: “Comprar briga com o Brasil neste momento não faz o menor sentido”.
O Escudo das Américas foi apresentado como iniciativa contra cartéis de drogas e apontado como instrumento de interferência dos EUA. Na Bolívia, foi usado para prender o procurador-geral Roger Mariaca, acusado de colaboração com o narcotráfico. A prisão gerou suspeitas porque ele investigava Fernando Cerimedo, ligado ao movimento de Trump.




