Da redação
Carlos Trejo, eletricista de 34 anos, levou vela e flor amarelas ao hospital de Havana para pedir proteção a Nossa Senhora da Caridade do Cobre enquanto aguardava o nascimento da filha. Milhares de cubanos participaram das celebrações dedicadas à padroeira do país, em meio à grave crise econômica.
O festejo de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, conhecida como “Cachita”, reuniu fiéis e praticantes de cultos afro-cubanos vestidos de amarelo ou com girassóis, símbolo da santa. Segundo Trejo, todos sentem os efeitos do bloqueio petroleiro dos Estados Unidos, agravando apagões e escassez de insumos essenciais. Ele afirmou: “É preciso lidar com isso sem abandonar a fé”.
As procissões em Havana e no bairro Regla ocorreram, conforme a Conferência de Bispos Católicos de Cuba, em cenário atípico, com a imagem de “Cachita” usando manto branco, “um símbolo de paz”, segundo Ariel Suárez, secretário da entidade. Em Regla, devotos agradeceram o retorno da luz após um apagão de 40 horas, relacionando-o à intercessão de Nossa Senhora da Regra, associada no sincretismo religioso à orixá Iemanjá.
De acordo com relatos dos participantes, houve orações por saúde e melhores condições de vida. Nos últimos cinco anos, dois milhões de cubanos emigraram. Yenis Grenot, de 49 anos e ex-funcionária do turismo afetada pelas sanções norte-americanas, afirmou: “Muitos querem ficar aqui, mas queremos que tudo mude, que melhore”.





