Da redação
Sob forte escolta de agentes da DEA, o deposto ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, desembarcou em Nova York no último sábado (3) para responder a graves acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, marcando o ápice de uma ofensiva militar e judicial conduzida pelos Estados Unidos sob o pretexto de combater as “drogas que matam os americanos”.
Maduro, sua mulher, seu filho e integrantes do alto escalão do regime enfrentam denúncias apresentadas pelo Departamento de Justiça dos EUA, incluindo crimes como narcoterrorismo e porte ilegal de armas. A operação que culminou na captura do líder venezuelano foi anunciada em setembro pelo então presidente Donald Trump, que afirmou ser uma resposta direta ao tráfico responsável por overdoses em território americano. “A operação mira diretamente o tráfico responsável por overdoses nos EUA”, declarou Trump na ocasião.
Apesar da retórica enfática das autoridades americanas, dados oficiais de agências internacionais e do próprio governo dos EUA sugerem outro cenário. O Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (Unodc) aponta que os principais fluxos de cocaína destinados ao mercado norte-americano passam pela Colômbia, Panamá, México e El Salvador. A Venezuela aparece, sobretudo, como rota de passagem de drogas que seguem para a Europa.
Relatórios da própria DEA corroboram essa análise. Segundo um documento da agência sobre apreensões de cocaína em solo americano, mais de 80% das amostras analisadas possuem origem confirmada na Colômbia, sem menção à Venezuela como um elo relevante nesta cadeia. O relatório reafirma que, entre as principais rotas de entrada da droga nos EUA, a Venezuela não é mencionada entre os protagonistas.
A ofensiva contra Maduro levanta questionamentos sobre motivações políticas e a real efetividade do combate ao tráfico responsável pelas mortes de milhares de americanos por overdose. Enquanto o processo judicial em Nova York se inicia, a narrativa oficial permanece sob escrutínio, evidenciando a complexidade e os interesses geopolíticos envolvidos no confronto entre Washington e Caracas.







