Da redação do Conectado ao Poder
Apontado como mentor da política de inteligência artificial na segurança pública, governador coloca tecnologia no centro do combate ao crime e acelera resposta policial
Daniel Vilela ampliou, em Goiás, o uso de inteligência artificial na segurança pública para prevenir crimes, monitorar áreas estratégicas e acelerar a identificação de suspeitos, com foco no programa IA Contra o Crime, lançado oficialmente em 26 de janeiro e baseado em videomonitoramento inteligente, cruzamento de dados e alertas em tempo real para as forças policiais.
Apontado como mentor da política de IA aplicada à segurança no estado, o governador colocou a tecnologia no centro das ações contra a criminalidade e deu novo impulso a um conjunto de medidas que começou a ser estruturado na gestão anterior, de Ronaldo Caiado. A estratégia parte do entendimento de que a dinâmica do crime mudou com o avanço tecnológico e exige respostas mais rápidas, integradas e orientadas por dados.
Entre as frentes em expansão está um sistema de videomonitoramento com câmeras equipadas com inteligência artificial, instaladas em pontos de grande circulação, regiões metropolitanas, cidades turísticas e áreas consideradas sensíveis. A proposta do governo é formar um “cinturão virtual de vigilância”, com equipamentos interligados e capacidade de analisar informações em tempo real para apoiar ações de prevenção, patrulhamento e investigação.
Segundo informações do governo, as ferramentas vão além da vigilância tradicional. Além de reconhecimento facial e leitura automática de placas, os sistemas conseguem filtrar características como cor e modelo de veículos, detalhes visuais e elementos que ajudem a localizar alvos com mais rapidez. Também podem identificar dados relacionados a pessoas, como características de roupas e acessórios, para refinar buscas e gerar alertas operacionais.
Em entrevista, Daniel Vilela afirmou que a tecnologia alterou o modo de atuação das forças de segurança e citou um caso recente em que suspeitos foram identificados e presos rapidamente com apoio do sistema. “Esse é um projeto que eu liderei e que já mostra resultados concretos. Tivemos um caso recente em que, em menos de uma hora, suspeitos de um crime grave foram identificados e presos com o uso do sistema”, disse.
O governador também declarou que a meta é levar a tecnologia a todas as regiões do estado em prazo curto. “Nós vamos ampliar esse sistema e, até outubro, queremos levar câmeras com inteligência artificial para todas as regiões de Goiás. É uma ferramenta que já é referência e que continuará sendo essencial para garantir a segurança dos goianos”, afirmou.
O Entorno do Distrito Federal foi citado como uma das áreas tratadas como estratégicas para investimento em infraestrutura e equipamentos. “O Entorno recebeu o que há de mais moderno em tecnologia para garantir que os melhores policiais do Brasil possam desempenhar com competência e garantir tranquilidade”, declarou Vilela.
Na avaliação do governador, a adoção de IA na segurança pública em Goiás responde à sofisticação de práticas criminosas. “O crime evolui e fica sofisticado. Mas nós em Goiás estamos à frente disso. Nossa nova tecnologia mostra que não é interessante para o bandido vir para Goiás. Seja pelo ar, água ou terra, por onde ele chegar, vai encontrar a polícia mais bem equipada”, afirmou.
O secretário de Segurança Pública, Renato Brum, disse que a estratégia tem alcance estadual e prevê grande ampliação do número de câmeras. “Todo o Estado será contemplado. Serão mais de 22 mil câmeras”, afirmou. Ele também citou entregas recentes e a continuidade de queda nos indicadores. “Tivemos um janeiro histórico. Iniciamos entregando quatro helicópteros que já estão em operação. Depois, a apresentação dos índices criminais, onde entramos no sétimo ano de reduções consecutivas. E hoje, com a plataforma IA Contra o Crime, a previsão é continuar com reduções expressivas”, disse.
O assessor especial do Governo de Goiás, Adriano da Rocha Lima, explicou que a inteligência artificial funciona como multiplicadora da capacidade operacional, ao permitir que o monitoramento e a análise de imagens ocorram em larga escala. “A grande vantagem da Inteligência Artificial é aprender determinados comportamentos. A gente alimenta o sistema com práticas reais da investigação policial, e ele passa a identificar situações suspeitas com base nisso”, afirmou.
Segundo ele, o treinamento do sistema foi feito com base em rotinas de investigação e padrões observados no dia a dia das forças de segurança, o que aumenta a precisão na identificação de situações fora do padrão. “Você pega conceitos práticos do dia a dia da investigação e insere na Inteligência Artificial. Com isso, ela consegue replicar esse olhar em larga escala”, disse.
Adriano também descreveu como os alertas chegam às equipes em campo, a partir da integração entre câmeras e algoritmos. “Em vez de um policial observando uma câmera, você coloca a Inteligência Artificial para fazer isso em uma velocidade muito maior e em todo o Estado. Isso multiplica a força policial na prática”, declarou, ressaltando que a atuação humana segue indispensável. “Sempre será necessário o policial na ponta, para abordagem e apreensão. Mas a tecnologia torna esse trabalho muito mais assertivo e evita ações desnecessárias”, pontuou.
Dados divulgados pelo governo indicam que, desde o lançamento oficial, o IA Contra o Crime auxiliou na solução de 107 casos e contribuiu para aumento de 50% na resolução de delitos entre março de 2025 e fevereiro de 2026. No mesmo período, segundo o balanço, a ferramenta ajudou na recuperação de mais de 500 veículos furtados ou roubados e foi apontada como suporte para o cumprimento de 18 mandados de prisão entre janeiro e fevereiro.
O programa foi implantado inicialmente em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Luziânia e Novo Gama, em caráter experimental, com uso de plataformas de inteligência artificial para monitoramento urbano e análise de dados em bancos das forças de segurança. A ampliação prevê integrar cidades turísticas, áreas de fronteira e regiões com maior demanda operacional, com geração de alertas automáticos às viaturas por aplicativo, incluindo imagens, localização e rotas para orientar o deslocamento das equipes.
No Legislativo, o deputado estadual Coronel Adailton defendeu a adoção de novas ferramentas para acompanhar a evolução do crime. “Nosso aparato de segurança pública não pode ficar parado no tempo, enquanto os bandidos evoluem. O uso da IA será de grande ajuda para que as forças policiais goianas continuem fazendo do nosso Estado o lugar mais seguro para se viver no Brasil”, afirmou.
Ele também citou o uso da tecnologia em golpes como parte do cenário atual e a aposta em empregar recursos semelhantes contra a criminalidade. “Quem nunca já passou por alguma tentativa de golpe virtual ou mesmo caiu no papo de algum golpista e perdeu dinheiro ou informações importantes? Agora vamos usar as mesmas tecnologias para combater a criminalidade de forma geral”, disse.






