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Davi Alcolumbre consolida poder no Senado com derrotas a Lula e domínio do Centrão


Da redação

Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso, consolidou sua influência política ao impor, na semana passada, duas derrotas ao presidente Lula: a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal e a derrubada do veto sobre a dosimetria das penas da tentativa de golpe de Estado. Esses movimentos ocorreram em Brasília e representam um ponto alto de sua carreira.

Conhecido por priorizar articulações políticas e ocupação de espaços estratégicos em vez de filiações ideológicas, Alcolumbre apoia sua atuação na cordialidade, escuta ativa, nomeações e controle de verbas. Ele ascendeu rapidamente no Congresso, destacando-se por sua capacidade de costurar acordos e exercer influência nos bastidores.

A trajetória nacional ganhou impulso em fevereiro de 2019, quando, aos 42 anos e filiado ao DEM, venceu a disputa pela presidência do Senado contra Renan Calheiros, apoiado por Jair Bolsonaro. O feito encerrou a hegemonia do MDB desde o início da Nova República, sendo o primeiro senador fora do partido a comandar a Casa em décadas.

Sua gestão marcou o fortalecimento do Centrão e o aumento do controle do Congresso sobre o orçamento, especialmente após a eleição de Arthur Lira à presidência da Câmara em 2021. A parceria Alcolumbre-Lira viabilizou o chamado “orçamento secreto”, que dificultava o rastreamento das emendas parlamentares e consagrou a influência dos dois líderes no Legislativo.

A relação com Lula deteriorou-se após o anúncio da indicação de Messias ao STF, contrariando o desejo de Alcolumbre, que preferia Rodrigo Pacheco. O episódio coincidiu com investigações no Supremo sobre o orçamento secreto e denúncias envolvendo parlamentares do Centrão e o banco Master, ampliando o desgaste entre as partes.

Natural de Macapá, Davi Alcolumbre iniciou a carreira como vereador pelo PDT em 2000, foi eleito deputado federal em 2006, e construiu sua trajetória inicialmente sob apoio da família Sarney, antes de se tornar adversário político. Vem de uma família judia de origem marroquina, tradicional no comércio e mineração do Amapá.