Início Brasil Debate aponta carência de atenção integral para pessoas com doenças raras

Debate aponta carência de atenção integral para pessoas com doenças raras


Da redação

Pessoas com doenças raras enfrentam falta de políticas públicas adequadas, como acesso ao diagnóstico precoce, tratamentos específicos e apoio às famílias, segundo audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH) realizada nesta segunda-feira (9). O evento foi solicitado pela presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que também destacou a necessidade de combater o bullying dirigido a quem convive com essas enfermidades.

O Ministério da Saúde define doenças raras como aquelas que afetam até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes, conforme a Portaria 199/2014. No Brasil, cerca de 13 milhões convivem com algum tipo de doença rara, muitas delas de origem genética e com sintomas ainda na infância. “Precisamos atuar para acabar com o diagnóstico tardio e com a dificuldade de acesso aos serviços especializados”, afirmou a senadora.

Lauda Santos, presidente da Associação Maria Vitória de Doenças Raras (Amavi), alertou para os atrasos nos atendimentos e para a burocracia que encarece a importação de medicamentos para pesquisas clínicas: “Quando o país deixa de fazer uma pesquisa, a gente perde fases importantes”, disse. Ela criticou o fato de o Brasil cobrar quatro impostos na importação desses remédios.

Rosely Maria Fanti Garcia Cizotti, diretora de comunicação da Casa de Saúde Nossa Senhora dos Raros, relatou a falta de apoio institucional e psicológico às famílias. Ela afirmou que gestores e parlamentares veem os pacientes como um custo elevado: “A gente precisa olhar para a pessoa com doença rara por inteiro. Isso geraria uma economia enorme e mudaria a vida de milhares de brasileiros”.

Laira dos Santos Inácio, fundadora do Instituto Anaju, destacou que 30% das crianças com doenças raras morrem antes dos cinco anos. O principal desafio, segundo ela, é evitar o diagnóstico tardio, ressaltando que anos de incerteza podem significar a perda de chances de sobrevivência. Daniella Neves, gerente de saúde do Instituto Jô Clemente, defendeu o teste do pezinho como essencial para o diagnóstico precoce.