Da redação
A Defensoria dos Direitos das Vítimas das Nações Unidas divulgou nesta semana o relatório anual 2024-2025, ressaltando a necessidade de maior apoio às pessoas afetadas por exploração e abuso sexual cometidos por funcionários da ONU. A defensora Najla Nassif Palma, brasileira à frente da pasta desde maio de 2024, detalhou a abordagem da instituição.
Najla Nassif enfatizou que a Defensoria tem avançado seus três pilares — “voz, assistência e justiça” — para ampliar as respostas às vítimas. “Trabalhamos para ampliar a perspectiva das necessidades das vítimas, assegurando que sua voz seja escutada e respeitada”, afirmou. A estratégia busca fortalecer tanto a prevenção quanto a resposta a casos de abuso.
Criada em 2017 pelo secretário-geral António Guterres, a Defensoria opera em todo o sistema das Nações Unidas para promover uma abordagem centrada nas vítimas. Em 2025, o órgão apoiou 234 pessoas sobreviventes de exploração ou abuso sexual relacionados a funcionários das Nações Unidas, segundo o relatório anual.
Nos últimos dois anos, Najla Nassif visitou 16 países, entrando em contato direto com sobreviventes para compreender melhor suas necessidades. Ela detalhou esforços para ampliar a oferta de assistência médica, psicológica, jurídica e atividades que possibilitem às vítimas meios de subsistência. A Defensoria também atua para garantir que os direitos das vítimas sejam respeitados durante processos disciplinares ou judiciais.
Segundo Nassif, parcerias com organizações da sociedade civil, em especial grupos liderados por mulheres, têm contribuído para adaptar políticas e programas da ONU às experiências das vítimas. Outra prioridade tem sido a colaboração com governos para avançar em processos de reconhecimento de paternidade e pensão alimentícia, com alguns países já fornecendo apoio financeiro provisório.
O relatório aponta avanços, mas também destaca desafios como a necessidade de mais profissionais especializados, financiamento sustentável e maior compromisso político. A Defensoria foi criada como parte da estratégia de proteção da ONU contra exploração e abuso sexual dentro da própria organização, visando aprimorar os mecanismos de atendimento às vítimas.






