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Mauro Cid revela detalhes da trama golpista em depoimento

Da redação do Conectado ao Poder

No primeiro depoimento de seu acordo de delação premiada, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, descreveu os bastidores de encontros no Palácio da Alvorada que envolviam tentativas de reversão da derrota eleitoral de Bolsonaro. Cid explicou que, após as eleições de 2022, Jair Bolsonaro recebia pessoas em três grupos distintos: conservadores, moderados e radicais.

Ele destacou que o grupo conservador, formado por figuras como Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, aconselhava o presidente a se posicionar como líder da oposição, enquanto grupos moderados eram contrários à ideia de um golpe militar, alertando sobre os riscos de um regime autoritário.

Os moderados ressaltavam que nada poderia ser feito após o resultado das eleições, e que ações desesperadas poderiam levar a um governo militar por décadas. Cid revelou que a divisão dos aliados de Bolsonaro baseava-se em narrativas de resistência e possível fraude nas urnas eletrônicas, além de uma pressão crescente para intervenções armadas nas estruturas de poder.

Durante a investigação da Polícia Federal, Cid detalhou que o ex-presidente era convencido a buscar fraudes e que vários militares estavam apreensivos com a direção que as tentativas de golpe estavam tomando. Ele também mencionou que Bolsonaro tinha reuniões com generais para medir a disposição das Forças Armadas em apoiar tais ações, refletindo uma clara divisão entre os altos comandantes sobre como proceder diante da situação política.

Cid também expressou que a radicalização dos grupos poderia levar a ações diretas e, em meio a essas manobras, Bolsonaro lidava com propostas cada vez mais extremas, como documentos que visavam prender ministros do Supremo Tribunal Federal e anular o resultado das eleições. Ele relatou que no final das reuniões, o ex-presidente se mostrava otimista quanto ao apoio que poderia receber do povo e dos grupos de caçadores de recompensas, conhecendo uma visão romântica sobre a aplicação do artigo 142 da Constituição.

O depoimento de Mauro Cid, portanto, se mostra vital para entender as nuances e os planejamentos que cercam a suposta tentativa de golpe, onde aliados buscavam manipular a narrativa e envolver as forças armadas em suas ideias de contestação ao resultado eleitoral de 2022.