Da redação
Desde o início do conflito no Sudão, em 15 de abril de 2023, 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir da violência. Segundo a representante da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) no país, Marie-Helene Verney, cerca de um quarto da população sudanesa está deslocada, sendo que muitos vivem um ciclo repetitivo de fuga. Os combates continuam intensos em grande parte do país, prolongando a crise, que já entrou em seu quarto ano.
Do total de deslocados, 9 milhões permanecem dentro do Sudão, enquanto 4,4 milhões buscaram refúgio em países vizinhos. A intensificação dos bombardeios aéreos e o uso de drones tem agravado a situação e forçado ainda mais pessoas a fugir. Violações de direitos humanos são frequentes, incluindo violência sexual, recrutamento forçado, prisões arbitrárias e massacres. Mulheres e meninas seguem sob alto risco de abuso, especialmente ao atravessarem áreas inseguras, agravado pelo colapso dos sistemas de justiça, saúde e segurança.
A crise de deslocamento no Sudão é a maior do mundo atualmente e ocorre em meio a severa escassez de financiamento global. Das necessidades de US$ 2,8 bilhões para assistência interna, apenas 16% foram recebidos. Para a resposta regional aos refugiados, o aporte foi de apenas 8% dos US$ 1,6 bilhão necessários. O Acnur alerta que, sem maior apoio internacional, o sofrimento e os riscos para os milhões de deslocados só devem aumentar.
Crianças estão entre as mais afetadas: milhões passaram três anos em deslocamento e cerca de 58 mil chegaram sozinhas a outros países, frequentemente traumatizadas e sem acesso à educação. Países como Chade, Egito e Sudão do Sul enfrentam limites para acolher refugiados, enquanto muitos deslocados retornam a áreas sudanesas devastadas, como Cartum, onde infraestrutura e serviços foram destruídos.
Entre 2024 e 2025, mais de 14 mil sudaneses chegaram à Europa, um aumento de 232% no fluxo desde o início da guerra. Segundo Verney, esses deslocamentos são motivados pela falta de perspectivas de paz e necessidades não atendidas no Sudão. Para a representante do Acnur, é essencial aumentar o financiamento humanitário e de desenvolvimento para oferecer dignidade aos sudaneses onde quer que estejam.




