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Diogo Cortiz: Delírio? Construir data center no espaço salva a IA ou cria um desastre?

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Da redação

A promessa de geração de energia solar no espaço voltou ao debate com o interesse de grandes empresas de tecnologia, apesar das dúvidas quanto à sua viabilidade. A principal premissa é que, fora da atmosfera e sem os obstáculos de nuvens e ciclos de dia e noite, painéis solares poderiam gerar muito mais energia do que sistemas terrestres. Embora a ideia não seja absurda conceitualmente, o histórico de promessas não cumpridas de Elon Musk levanta questionamentos sobre sua efetividade e os riscos envolvidos.

Outras big techs e empresas chinesas também demonstram interesse pelo conceito. O Google, por exemplo, planeja lançar dois satélites-protótipo em 2027, em parceria com a Planet Labs, dentro do projeto Suncatcher. Esses satélites serão equipados com chips TPU de inteligência artificial e a proposta é, futuramente, criar constelações capazes de funcionar como data centers distribuídos no espaço.

A viabilidade econômica, entretanto, é apontada como principal entrave. Rebekah Reed, ex-diretora associada da NASA e pesquisadora de Harvard, publicou no Financial Times que, para tornar o projeto financeiramente viável, o custo de lançamento precisaria cair para menos de 200 dólares por quilograma. Atualmente, esse valor é sete vezes maior e, mesmo em cenários otimistas, a previsão é de que tal redução não seja alcançada antes de 2030.

Além dos custos, a manutenção representa outro desafio. Em data centers terrestres, técnicos podem substituir componentes defeituosos rapidamente. No espaço, seria necessário recorrer à manutenção robótica, aceitar o envelhecimento da tecnologia ou lidar com o acúmulo de lixo espacial.

Assim, apesar do interesse crescente e potencial tecnológico, a concretização de usinas solares e data centers orbitais ainda enfrenta limites econômicos e operacionais significativos.