Da redação
A polarização política no Brasil passou da histórica rivalidade entre PSDB e PT para o atual embate entre lulistas e bolsonaristas, com destaque para a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Sérgio Fausto, diretor-geral da Fundação FHC, o cenário evidencia o empobrecimento do debate político.
De acordo com Fausto, a campanha presidencial é marcada por ataques mútuos, alimentados por suspeitas de escândalos envolvendo ambos os candidatos e seus entornos. O cientista político avalia que o espírito predominante é o de “destruição da figura do adversário”, o que prejudica a governabilidade do país.
O analista ressalta que o presidencialismo de coalizão se transformou nos últimos anos, com o Congresso ganhando mais poder em relação ao Executivo. Para Fausto, é improvável que o país tenha um presidente forte no próximo mandato, independentemente de quem seja o eleito, devido ao novo equilíbrio institucional.
Na avaliação de Fausto, Lula enfrenta desconfiança de agentes econômicos quanto à política fiscal, enquanto Flávio Bolsonaro é criticado pela promessa de conceder indulto ao pai, o que considera inconstitucional. O cientista político apresentou essas análises em encontro com diplomatas do Grupo de Países da América Latina e Caribe, vinculando o cenário brasileiro a uma tendência internacional de fragmentação política.




