Da redação
O navio de cruzeiro MV Hondius, palco de três mortes por hantavírus, chega à ilha de Tenerife, na Espanha, na madrugada deste domingo. Os passageiros desembarcarão pelo porto industrial de Granadilla, em área isolada, e serão encaminhados para repatriação direta aos países de origem por corredores totalmente vigiados.
A operação de desembarque será acompanhada pessoalmente pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus. Estarão presentes também profissionais de saúde, equipe portuária e autoridades locais. O objetivo é garantir o controle rigoroso da situação, evitando eventuais riscos à população da ilha.
Segundo Tedros, o risco para a saúde pública decorrente do hantavírus permanece baixo. Em mensagem ao povo de Tenerife neste sábado, ele ressaltou que “a situação atual não é uma repetição da crise da Covid-19” iniciada em 2020. Atualmente, conforme apurado, não há passageiros sintomáticos a bordo do navio.
A bordo do MV Hondius, um especialista da OMS monitora a situação e, na última parada em Cabo Verde, a embarcação recebeu novos suprimentos médicos. Até o momento, três mortes foram registradas e oito casos suspeitos foram notificados, sendo seis confirmados em laboratório com a cepa Andes do hantavírus, que pode ser transmitida entre humanos em contatos próximos e prolongados.
Tedros Ghebreyesus agradeceu ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pela decisão de receber o navio, classificando o ato como “solidariedade e dever moral”. Ele elogiou a resposta da ilha diante de um momento difícil e lembrou que cerca de 150 pessoas, de 23 países, estavam embarcadas, muitas delas em luto e todas com saudade de casa.
A escolha de Tenerife ocorreu por sua capacidade médica e infraestrutura adequada. O pedido de atracação foi realizado com base no Regulamento Sanitário Internacional, que determina que portos com condições técnicas assegurarão a segurança e dignidade dos passageiros em emergências de saúde pública com interesse internacional.







