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Distrito Federal registra sete feminicídios no primeiro trimestre de 2026, maioria sem denúncia prévia

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Da redação

O Distrito Federal registrou sete feminicídios e 20 tentativas de assassinato contra mulheres nos três primeiros meses de 2026, segundo dados da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios. O número supera o primeiro trimestre de 2025, quando foram contabilizados seis feminicídios na região. O aumento preocupa autoridades e especialistas.

Os levantamentos mostram que janeiro concentrou metade dos feminicídios do período, seguido por fevereiro, com dois casos, e março, com um. Além disso, 33% das vítimas tinham 60 anos ou mais. Em cinco dos sete homicídios, não havia registros prévios de ocorrência envolvendo as vítimas e os autores, indicando barreiras para denúncias anteriores.

Lívia Gimenes, coordenadora do programa de Promotoras Legais Populares, avalia que o medo e a falta de conhecimento sobre medidas protetivas dificultam a busca por proteção. “A maioria não sabe que pode pedir a medida protetiva sem denúncia penal. Muitas mulheres desconhecem as possibilidades que a Lei Maria da Penha oferece”, destaca.

Rita Andrade, do Levante Feminista Contra o Feminicídio, destaca a necessidade de estratégias mais amplas. Segundo ela, “é urgente fortalecer redes de proteção, ampliar o acolhimento e preparar melhor os serviços públicos para identificar sinais de risco”. Andrade também defende o reconhecimento da misoginia como crime, diante do aumento de discursos de ódio contra mulheres.

A maioria dos crimes ocorreu dentro de casa, com 50% dos feminicídios e 62% das tentativas registradas em residências. O uso de arma branca foi o meio mais comum nos assassinatos. Planaltina liderou o número de casos, seguida por Guará, Estrutural, Recanto das Emas e Sol Nascente/Pôr do Sol, com uma morte cada.

No período analisado, 60% dos autores identificados não tinham antecedentes criminais. Em 47% das tentativas, a intervenção de terceiros foi decisiva para evitar o desfecho fatal. O perfil dos agressores é diversificado, abrangendo desde adolescentes até adultos de 44 anos. O telefone 180 oferece atendimento 24 horas para mulheres em situação de violência.