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Do auge ao conflito: como o bolsonarismo semeia crises e ameaça os próprios aliados


Da redação

As pré-campanhas majoritárias da oposição enfrentam turbulência em redutos tradicionalmente bolsonaristas. A poucos meses da definição oficial das chapas, conflitos internos, disputas de ego e atuação da família Bolsonaro desfizeram acordos regionais e fragilizaram projetos eleitorais que pareciam certos. O efeito pode ser a divisão do eleitorado da direita em estados onde havia expectativa de vantagem.

Em Santa Catarina, a deputada federal Caroline De Toni (PL-SC), favorita nas pesquisas, desafiou o comando nacional do partido ao se recusar a retirar sua pré-candidatura ao Senado. Valdemar Costa Neto havia orientado a preservar a legenda para Carlos Bolsonaro e manter o acordo que garantiria ao senador Esperidião Amin (PP) a chance de reeleição. O PL ofereceu a De Toni alternativas, como a vice de Jorginho Mello ou a liderança da bancada, mas ela recusou, deixou o partido e manteve sua candidatura ao Senado.

O caso expõe as dificuldades do bolsonarismo em administrar ambições pessoais e familiares, o que ameaça pulverizar votos em estados historicamente conservadores. A priorização dos interesses do clã Bolsonaro, mesmo frente a conflitos com aliados, tornou-se uma constante.

No Distrito Federal, o cenário se repete. A chapa bolsonarista previa Michelle Bolsonaro ao Senado e Celina Leão (PP), aliada de Ibaneis Rocha (MDB), candidata ao governo. Mas a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) reivindicou a segunda vaga ao Senado, inicialmente destinada a Ibaneis, e defendeu chapa “puro-sangue”, sem o MDB. O movimento aumentou incertezas sobre os rumos do projeto conservador no DF e sobre o futuro de Celina Leão.

Michelle Bolsonaro teria admitido a possibilidade de disputar a vice-presidência em uma chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos). Caso não avance, segue favorita ao Senado. Se as candidaturas do PL forem confirmadas, Ibaneis pode ficar fora do jogo, restando-lhe concorrer a deputado federal ou completar o mandato, o que reduziria a visibilidade de Celina para a eleição.