Da redação
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou neste sábado (7) que fatos recentes expõem uma relação “aparentemente promíscua” entre “altas autoridades” e pessoas ligadas à corrupção. Segundo ele, situações como a suposta ligação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) demandam rigor na apuração de responsabilidades, incluindo eventuais casos de “advocacia empresarial exercida dentro da Suprema Corte”.
Durante participação no Festival Fronteiras, realizado pela primeira vez em São Paulo, Leite, que é pré-candidato à Presidência, defendeu mudanças institucionais. Para o governador, é necessário “não só apontar o dedo”, mas pensar em formas de aprimorar as instituições, como a implementação de um código de conduta para a corte e a exigência de idade mínima de 60 anos para assumir vaga no STF. “Seria uma coroação de uma longa carreira jurídica e não uma via para, a partir da posse, obter favorecimentos”, ressaltou.
No mesmo evento, o economista Persio Arida comentou o escândalo do Master, destacando três dimensões do caso: criminal, institucional e “político/criminal”. “É um caso sem precedentes, tudo é inédito”, afirmou. Segundo Arida, apesar da gravidade, há um aspecto positivo no fato de o país estar enfrentando o problema, citando a influência da opinião pública, editoriais e políticos atuantes: “O Brasil chegou à beira do precipício e não pulou”.
Leite também opinou sobre as pesquisas eleitorais, dizendo que elas refletem apenas o humor do eleitor. “Há espaço para algo novo. O problema do Lula não é a idade dele, mas o tempo da política”, afirmou.
O governador fez acenos à esquerda e alertou para riscos de retrocesso caso a política não enfrente a corrupção: “A descrença faz com que as pessoas sejam muito mais sensíveis àqueles que vão defender rupturas. E aí vamos ter um caminho perigoso para o país.”







