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Educação superior privada muda estratégia após novo marco regulatório do EaD em vigor


Da redação

O setor de educação superior privada no Brasil registrou mudanças relevantes no primeiro trimestre de 2026, após o marco regulatório do ensino a distância (EaD) implementado pelo Ministério da Educação. A nova dinâmica inclui restrições a cursos digitais, migração para o modelo semipresencial e foco em rentabilidade, buscando adaptação ao novo ambiente normativo.

Analistas, como Samuel Alves e Maria Resende do BTG Pactual, definiram o período como um “teste relevante” pós-regulação. Segundo eles, o desempenho das empresas foi “decente, mas desigual”, sustentado por incremento de tíquetes, fortalecimento de cursos premium e de Medicina, e crescimento do ensino híbrido e presencial em detrimento do EaD tradicional.

Empresas como Vitru, Yduqs, Ser Educacional, Ânima e Cruzeiro do Sul relataram expressiva queda na captação de alunos no EaD. A Ser Educacional observou retração de 72,6%, Ânima, de 42,2%, e Cruzeiro do Sul, de 28,1% nas modalidades digitais e semipresenciais. Simultaneamente, houve expansão no presencial e semipresencial, realocando investimentos para essas áreas.

A Vitru destacou-se com 972,8 mil estudantes em março, crescimento de 10% em relação ao ano anterior, e lucro líquido ajustado de R$ 91,8 milhões, alta de 24,1%. O Ebitda ajustado aumentou 16%, para R$ 235,1 milhões, e a geração de caixa avançou 76,1%. Segundo o BTG, empresas adaptáveis consolidam posições favoráveis diante das novas regras.

Com perfil distinto, a Afya permaneceu pouco exposta às mudanças, pois foca em medicina presencial e soluções digitais para médicos. Manteve ocupação total nas vagas de medicina, ampliou tíquetes e expandiu oferta de vagas autorizadas, reafirmando a resiliência do segmento de cursos premium e de saúde.

Outro destaque foi a Cogna, cuja divisão de Educação Básica teve protagonismo com receitas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Analistas do Itaú BBA e do Bank of America ressaltaram a concessão de 23 novos polos presenciais de enfermagem, totalizando 76, reforçando o potencial de crescimento em cursos presenciais e segmentos de maior rentabilidade para a companhia.