Da redação
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, alertou que um episódio extremo do fenômeno climático El Niño pode causar uma perda de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto regional e empurrar até 4,8 milhões de pessoas para a pobreza. Segundo relatório divulgado pela entidade, esses efeitos devem se concentrar especialmente no primeiro ano da anomalia térmica e provocar consequências econômicas e sociais duradouras em diversos setores produtivos da região.
De acordo com a Cepal, o impacto negativo do El Niño sobre a renda das famílias poderá aumentar significativamente o número de pessoas em situação de pobreza até o final da década, em comparação com um cenário sem a ocorrência do fenômeno. A comissão destaca ainda a previsão de pressões inflacionárias, agravamento da pobreza e vulnerabilidades críticas nos setores energético, pesqueiro e agrícola caso o evento atinja intensidade elevada.
O relatório expõe preocupação especial sobre o setor energético latino-americano, onde a geração hidrelétrica supera 70% da matriz em alguns países e parte relevante da infraestrutura já ultrapassou 30 anos de operação. A expectativa é de aumento do consumo de eletricidade para climatização durante períodos de escassez hídrica, elevando o risco de apagões e custos extras. Estudos também indicam possibilidade de secas com probabilidade superior a 70% afetando a agricultura, além de alterações nas cadeias alimentares com impactos sobre a pesca.
Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, Noaa, apontam probabilidade superior a 90% de um El Niño de intensidade muito forte no outono e inverno de 2026-2027 do Hemisfério Norte. O secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs, defendeu a adoção de medidas preventivas e integração dos riscos climáticos nas políticas nacionais para mitigar impactos, ressaltando a importância da coordenação regional de recursos.




