Início Artigo Eleição 2026: Lula lidera, adversários crescem e o eleitor ainda observa

Eleição 2026: Lula lidera, adversários crescem e o eleitor ainda observa

Por Sandro Gianelli

A pesquisa divulgada pela Quaest nesta quarta-feira ajuda a desenhar, com mais clareza, o tabuleiro da eleição presidencial de 2026. E o primeiro ponto que salta aos olhos é simples: Lula continua sendo o nome a ser batido. Lidera todos os cenários, tanto no primeiro quanto no segundo turno, e mantém um patamar de intenção de voto que gira entre 35% e 40%, dependendo da simulação.

Isso mostra duas coisas muito claras. Primeiro, Lula entra em 2026 com uma base consolidada, fiel, que conhece, reconhece e sustenta o seu projeto político. Segundo, apesar da rejeição alta, ele segue competitivo porque o campo adversário ainda está fragmentado e em construção.

Do outro lado, o destaque vai para Flávio Bolsonaro, que aparece consistentemente na segunda colocação. Ele se consolida como o principal herdeiro do bolsonarismo, ocupando um espaço eleitoral que ainda é muito forte no país. Em alguns cenários, ele chega perto de Lula e, no segundo turno, reduz a diferença, mas ainda não vira o jogo. Isso indica que existe voto, mas também existe um teto, especialmente por causa da rejeição elevada.

Já Tarcísio de Freitas surge como o nome mais competitivo fora do núcleo bolsonarista tradicional. Quando entra no cenário, cresce rápido, encosta em Flávio e, em alguns recortes, vira o principal adversário de Lula. O problema de Tarcísio hoje não é rejeição, é desconhecimento. Um terço do eleitorado ainda não sabe exatamente quem ele é, o que mostra que há espaço para crescimento, mas também muito trabalho pela frente.

Os demais nomes, como Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, aparecem como alternativas regionais fortes, mas ainda sem densidade nacional. Têm potencial, especialmente em seus estados, mas enfrentam o mesmo desafio: baixo conhecimento fora de suas bases.

Outro dado importante da pesquisa é o nível de indecisos e de votos brancos ou nulos, que ainda é alto. Isso reforça uma máxima da política: a eleição não começou de verdade para o eleitor comum. Estamos falando de um cenário prévio, que tende a mudar conforme campanhas ganhem corpo, narrativas sejam construídas e crises ou acertos dos governos apareçam no caminho.

Em resumo, a pesquisa da Quaest mostra um cenário em que Lula larga na frente, o bolsonarismo mantém força com Flávio Bolsonaro, Tarcísio desponta como alternativa competitiva e o centro-direita ainda busca um nome capaz de unificar discurso, reduzir rejeição e ganhar visibilidade nacional.

O jogo está longe de terminado. Mas uma coisa é certa: 2026 não será uma eleição simples, nem previsível. Será uma disputa de narrativas, rejeições, alianças e, principalmente, de quem consegue falar com o eleitor que ainda está em silêncio.