Da redação
Um engenheiro civil contratado pela construtora New Home identificou falhas estruturais e recomendou a remoção de famílias do edifício vizinho à obra que desabou na Penha, zona leste de São Paulo, segundo depoimento à Controladoria Geral do Município. O desabamento na Rua Tequici causou seis mortes e motivou investigação da Polícia Civil sobre responsabilidades pelo ocorrido.
Durante vistoria realizada em fevereiro de 2026, Fábio José de Oliveira apontou divergências entre o número de unidades autorizadas e o planejado, além de irregularidades como estreitamento de escadas e ausência de itens de segurança. O engenheiro também relatou que a construção “puxava uma das casas e empurrava outra”, notando rachaduras na calçada e risco de colapso, motivo da recomendação para retirada dos moradores.
A Polícia Civil informou que quatro pessoas podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual. Três sócios da New Home tiveram prisão decretada: Ronaldo Vivacqua, considerado sócio oculto, foi preso; Cristiano Vivacqua, responsável técnico, e Ísis Brandão, proprietária formal, estão foragidos. Viviane Rodrigues de Palma, coordenadora da Subprefeitura da Penha, que atestou falsamente a demolição do prédio em 2024, também pode ser responsabilizada. Ela foi afastada do cargo por 120 dias após ser ouvida pela polícia.
A obra foi interditada pela Prefeitura de São Paulo em 2019 por falta de alvará, mas prosseguiu. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município buscou na Justiça interromper a construção. A New Home alegou ter R$ 670 mil para reestruturação da obra; Fábio estimou até R$ 5 milhões para garantir a segurança da edificação. As vítimas do desabamento eram naturais da Bolívia e do Paraguai.





