Da redação
Luisa González, ex-candidata à Presidência do Equador e uma das principais lideranças de oposição ao presidente Daniel Noboa, tentou participar da disputa pelo governo da província de Manabí nas eleições regionais. Após ter a candidatura barrada por três partidos diferentes, incluindo a Revolución Ciudadana — legenda suspensa pela Justiça Eleitoral — González acusou Noboa de usar instituições para afastar adversários, embora não haja provas diretas do envolvimento do governo, segundo informações oficiais.
De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a sucessão de impedimentos a González e outros opositores, somada à antecipação das eleições regionais, motivou um alerta sobre a necessidade de garantir “participação política plural e igualitária” no país. A CIDH destacou que a mudança de data reduziu o tempo para as primárias, inscrição de candidatos e campanha, levantando dúvidas sobre a equidade do processo eleitoral.
A Justiça Eleitoral suspendeu a Revolución Ciudadana em março, por nove meses, atendendo a pedido da Procuradoria dentro do caso Caja Chica, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento irregular de campanhas. A antecipação das eleições de fevereiro de 2027 para novembro foi justificada pelo Conselho Nacional Eleitoral pelo risco de chuvas intensas causadas pelo fenômeno El Niño, argumento classificado como “muito fraco” por César Ricaurte, diretor da Fundamedios.
Organizações como a Fundamedios também denunciaram o aumento da violência contra jornalistas, com seis assassinatos e 231 agressões à liberdade de expressão e outros direitos relacionados. Noboa tem fortalecido sua imagem com discurso de combate ao narcotráfico, ampliando o papel das Forças Armadas e a cooperação internacional, incluindo aproximação com os Estados Unidos e participação em cúpulas regionais voltadas para o enfrentamento de cartéis.





