Especialistas da ONU mencionam uso de inteligência artificial em ataques israelenses na Faixa de Gaza

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Especialistas da ONU lamentaram o suposto uso de inteligência artificial, IA, e diretrizes militares relacionadas por Israel na Faixa de Gaza ocupada, levando a um número sem precedentes de vítimas na população civil, moradias, serviços vitais e infraestrutura. 

Para eles, seis meses após o início da atual ofensiva militar, mais moradias e infraestrutura civil já foram destruídas em Gaza como porcentagem, em comparação com qualquer conflito de que se tem memória. 

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Crime contra a humanidade

Os relatores apontam que a destruição de moradias levou também “memórias, esperanças e aspirações dos palestinos e sua capacidade de concretizar outros direitos”. 

Eles adicionam que a destruição sistemática e generalizada de residências, serviços e infraestrutura civil representa um crime contra a humanidade, além de vários crimes de guerra e atos de genocídio, conforme descrito pelo Relator Especial da ONU sobre o Território Palestino Ocupado em seu recente relatório ao Conselho de Direitos Humanos. 

Segundo os especialistas que assinam o comunicado, com a recente adesão de autoridades públicas israelenses aos apelos para que os palestinos deixem Gaza e a proposta de construção de novos assentamentos, somada ao entusiasmo explícito expressado por ex-funcionários proeminentes do governo dos EUA em relação a possíveis investimentos imobiliários “à beira-mar” na área, torna-se evidente que as intenções de Israel ultrapassam os objetivos militares.

Menino carrega latas de água na Faixa de Gaza

Menino carrega latas de água na Faixa de Gaza

Os especialistas defende que “se for comprovado que isso é verdade, as revelações chocantes do uso de sistemas de IA pelos militares israelenses combinadas com a redução da devida diligência humana para evitar ou minimizar as vítimas civis e a infraestrutura, contribuem para explicar a extensão do número de mortos e a destruição de casas em Gaza”.

Tecnologia para guerra

Mais de 15 mil mortes, quase metade de todas as mortes de civis até o momento, ocorreram durante as primeiras seis semanas após 7 de outubro, quando os sistemas de IA parecem ter sido amplamente utilizados para a seleção de alvos. 

O grupo diz estar especialmente preocupado com o suposto uso da IA para atingir ‘casas de família’ de supostos membros do Hamas. Esse atos  teriam lugar “geralmente à noite, quando eles dormem, com munições não guiadas conhecidas como bombas ‘burras’, com pouca consideração pelos civis que possam estar dentro ou ao redor da casa”. 

Eles também expressaram grande preocupação com a prática de bombardear os chamados “alvos poderosos”, como prédios residenciais e públicos grandes e altos, especialmente nas primeiras semanas da guerra. 

“Edifícios que não eram alvos militares legítimos foram aparentemente bombardeados simplesmente com a intenção de chocar a população e aumentar a pressão civil sobre o Hamas”, disseram os especialistas. 

Destruição

Segundo os dados apresentados pelos relatores, entre 60% e 70% de todas as casas em Gaza, e até 84% das casas no norte de Faixa, estão totalmente destruídas ou parcialmente danificadas. 

O Banco Mundial, a ONU e a União Europeia estimam que os danos causados até o momento são de US$ 18,5 bilhões, ou 97% do PIB total de Gaza e da Cisjordânia. O número de 72% dessa estimativa corresponde ao custo de moradias, enquanto outros 19% correspondem ao custo da infraestrutura civil, incluindo água e saneamento, energia e estradas. 

De acordo com os especialistas, a escala de destruição, com mais de 33 mil pessoas mortas e 1,7 milhão deslocadas, deixa claro que uma abordagem reparadora para a reconstrução de Gaza é essencial. 

Para eles, o processo deve ser iniciado com Israel, a potência ocupante, “que destruiu Gaza”, bem como com os países que forneceram apoio militar, material e político para a guerra e a ocupação, todos com responsabilidade legal e moral.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.



Fonte: ONU

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