Da redação
Especialistas discutem, em Baku, no Azerbaijão, durante a 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial, entre os dias 21 e 26 de junho, os benefícios, desafios e prioridades da integração de tecnologias avançadas na construção das chamadas “cidades do futuro”, diante do avanço da urbanização e das mudanças climáticas.
Anacláudia Rossbach, diretora executiva da ONU-Habitat, afirmou que grandes cidades enfrentam problemas como escassez de moradia, choques climáticos e aumento das desigualdades. Ela defendeu o uso máximo das tecnologias disponíveis, enfatizando que a transformação digital deve garantir “centralidade dos direitos humanos, inclusão e equidade”.
A experiência de Bogotá, na Colômbia, foi citada como referência nesta área, devido ao foco em mobilidade, sustentabilidade urbana e transformação digital. O Fórum também destacou a necessidade de colocar a população no centro das iniciativas tecnológicas, garantindo que as soluções implementadas resultem em melhorias reais na vida cotidiana das pessoas.
Gynna Millan, arquiteta e pesquisadora urbana colombiana, alertou que a tecnologia pode ser ferramenta de capacitação ou de controle, conforme seja utilizada. O aumento da interconectividade, segundo especialistas, expõe as cidades a riscos como ciberataques em infraestruturas críticas, tornando essencial a inclusão da cibersegurança no planejamento urbano.
A discussão ressaltou que, principalmente no Sul Global, muitas cidades enfrentam limitações de infraestrutura e acesso à internet, o que desafia a efetividade das soluções digitais. Conforme Dmitry Maryasin, da Comissão Econômica da ONU para a Europa, a definição de “cidade inteligente” também depende de planejamento qualificado e da priorização das reais necessidades das comunidades.
De acordo com representantes da ONU, o futuro das cidades inteligentes dependerá menos do avanço tecnológico em si e mais de quem se destina o desenvolvimento dessas soluções, priorizando inclusão, confiança e segurança como valores centrais do urbanismo contemporâneo.






