Da redação
O governo dos Estados Unidos anunciou acordo para operar, por meio da empresa North American Blue Energy Partners (Nabep), 21% das reservas de petróleo da Venezuela pelos próximos 100 anos, segundo comunicado da Casa Branca. A Nabep, empresa privada com 35% das ações sob controle do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA, terá concessões sobre 17 campos avaliados em 65 bilhões de barris.
Segundo a Casa Branca, a Nabep concedeu ao Departamento de Estado norte-americano o direito de adquirir, ao preço de custo, 20% da produção de todos os campos atuais e futuros que operar, além de direito de preferência na compra do restante. O governo dos EUA também afirmou ter direito de veto na nomeação de membros do conselho de administração da empresa, que deve ser composto majoritariamente por cidadãos norte-americanos, sob legislação e jurisdição americanas.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou por meio de rádio e TV que Caracas optou pelo “caminho da diplomacia” com os EUA e que o acordo permitirá a recuperação da infraestrutura energética venezuelana com previsão de US$ 100 bilhões em investimentos e US$ 209 bilhões em impostos em 25 anos. Especialistas e grupos chavistas criticaram o acordo, apontando possível caráter “neocolonial”, enquanto entidades como o Movimento Revolucionário Tupamaro divulgaram nota contrária, ao passo que o Partido Socialista Unido da Venezuela defendeu a medida como forma de estimular a economia local.
O acordo é assinado pelos secretários da Guerra, Pete Hegseth, e do Departamento de Estado, Marco Rubio, e prevê ainda que a maioria do conselho da Nabep seja composta por cidadãos dos EUA. Conforme comunicado oficial, a Casa Branca relaciona o pacto à reafirmação da Doutrina Monroe, que reforça a predominância norte-americana sobre o continente. A empresa Nabep informou que multiplicou por mais de dez a produção na Venezuela após investimentos de US$ 1 bilhão.



