Início Mundo Estados Unidos classificam Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas no Brasil

Estados Unidos classificam Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas no Brasil


Da redação

Os Estados Unidos classificaram nesta quinta-feira (28) o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. As duas facções surgiram em prisões brasileiras e são apontadas como as mais influentes no cenário do crime organizado no país, segundo autoridades internacionais.

O Comando Vermelho teve origem no presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, na década de 1970. O grupo surgiu a partir da convivência entre presos políticos e detentos comuns, contexto em que abandonou as motivações ideológicas para dedicar-se principalmente ao tráfico de drogas na capital fluminense e posteriormente em outras regiões brasileiras.

A organização ampliou sua atuação nos anos 1990, negociando drogas diretamente com cartéis colombianos e bolivianos. No Rio de Janeiro, o CV aumentou nos últimos anos o domínio sobre favelas, conforme relatos de operações policiais, substituindo grupos criminosos rivais em áreas estratégicas para a circulação de entorpecentes.

O PCC nasceu de um time de futebol formado por detentos em Taubaté, região de São Paulo, com o objetivo inicial de reivindicar melhores condições no sistema penitenciário após o Massacre do Carandiru, em 1992. Em 2006, o grupo esteve envolvido em ataques que deixaram centenas de mortos em São Paulo, segundo autoridades, em represália à transferência de lideranças para penitenciárias de segurança máxima.

Assim como o CV, o PCC expandiu sua influência por meio do tráfico internacional de cocaína, estabelecendo parcerias com a máfia calabresa ‘Ndrangheta para envio de drogas à Europa. O grupo também investiu em setores da economia formal para lavagem de dinheiro, utilizando postos de combustíveis, fintechs e plataformas digitais, segundo investigações.

Após uma convivência pacífica inicial, CV e PCC entraram em conflito há cerca de uma década, disputando rotas de drogas provenientes da Amazônia, Colômbia e Bolívia. Episódios como as rebeliões de 2017 em presídios nortistas resultaram na morte de dezenas de detentos, acendendo o alerta para o poder das facções.

Em 2023, operações de grande escala miraram ambas as organizações. Em outubro, 2.500 agentes invadiram complexos controlados pelo CV no Rio, resultando em mais de 120 mortos, considerado o episódio mais letal da história do país em ações desse tipo. Já o PCC foi alvo de uma operação em agosto contra sua estrutura financeira, sobretudo envolvendo investimentos em fintechs, cuja nova fase ocorreu justamente nesta quinta-feira.