Da redação
Levantamento realizado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal revelou que 75% dos presos de Brasília não recebem acompanhamento médico contínuo nas unidades prisionais. O estudo, concluído em março de 2026, apontou déficit significativo de profissionais de saúde e superlotação em presídios da capital, agravando o cenário sanitário.
Segundo a pesquisa, as Unidades Básicas de Saúde do sistema prisional enfrentam escassez de pessoal. O Complexo Penitenciário da Papuda exemplifica a crise: há apenas 134 servidores cumprindo 4.814 horas semanais, enquanto a demanda mínima seria de 5.664,4 horas. O déficit atinge enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas e outros profissionais, afetando diretamente a saúde dos internos.
O levantamento identificou a ausência até mesmo de psicólogos e assistentes sociais em algumas unidades, prejudicando o atendimento integral. Além disso, foram registradas dez doenças infectocontagiosas nas prisões, incluindo tuberculose, HIV, hepatite viral e sífilis, facilitadas pela proximidade e falta de condições sanitárias adequadas diante da superlotação.
A crise se agravou com a mobilização dos policiais penais, que entregaram cargos de chefia e provocaram suspensão de visitas e dificuldades no transporte de presos para consultas médicas. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, Fábio Felix (PSol), destacou: “Cerca de 75% das pessoas privadas de liberdade não têm recebido atendimento continuado pelas equipes de saúde, o que fragiliza o monitoramento clínico e a prevenção de agravos”.
O déficit estrutural do sistema é de 5.782 vagas, com picos de ocupação de até 256% em algumas unidades. Especialistas alertam para riscos de surtos, rebeliões e agravamento da saúde física e mental neste cenário, com impacto também na saúde pública das comunidades vizinhas.
Em resposta, a Secretaria de Saúde informou que conta com 24 equipes atuando e que realiza esforços para ampliar a cobertura, tendo registrado 13 mil atendimentos individuais e cerca de 34 mil procedimentos no início de 2026. Já a Secretaria de Administração Penitenciária moveu policiais penais para o plantão e prevê a retomada das visitas assim que possível.






