Da redação
Pesquisadores da Universidade do Mississippi, nos Estados Unidos, identificaram relações entre traços de psicopatia e padrões de linguagem em relatos pessoais, segundo estudo publicado na revista Personality and Individual Differences. A pesquisa envolveu 307 universitários e 144 adultos que passaram pelo sistema prisional. Os participantes escreveram sobre momentos marcantes e responderam a questionários de personalidade.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, foram avaliadas três dimensões da psicopatia: ousadia, insensibilidade e desinibição. Analisando os textos, os pesquisadores observaram que pessoas com pontuação alta em desinibição fizeram menos referências a resultados positivos e apresentaram linguagem mais negativa ao descrever situações felizes ou de virada, mas não ao relatar experiências negativas.
O levantamento apontou ainda que a ousadia esteve ligada ao uso menos frequente de palavras associadas à ansiedade, como “medo”, “preocupação” e “nervoso”. Já a insensibilidade foi relacionada a menor presença de palavras de emoção negativa, como “ódio” e “mágoa”, em relatos sobre momentos de mudança. A desinibição também se associou ao uso mais recorrente de termos sobre substâncias, como bebidas alcoólicas, nos relatos de momentos negativos e de virada.
Segundo os pesquisadores, a linguagem usada nos relatos pode carregar tanto emoções quanto significados pessoais, dependendo do traço avaliado e do contexto da experiência narrada. O objetivo do estudo foi compreender como características de personalidade se manifestam na escrita, sem propor o uso de palavras isoladas para diagnóstico psicológico.




