Da redação
Os Estados Unidos advertiram que não ficarão “de braços cruzados” após o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciar que não haverá mais eleições no país. O comunicado ocorre enquanto opositores exilados expressam temor de avanço para um regime de partido único, conforme pronunciamento feito por Ortega no domingo.
Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, no X, o governo de Donald Trump considera que a abolição das eleições pela Nicarágua “demonstra covardia e medo da vontade do povo nicaraguense”. A Assembleia Nacional informou que iniciou a análise de reformas para cumprir as orientações presidenciais. O anúncio também foi rejeitado pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Albert Ramdin, que declarou que “o regime abandonou a democracia”, e pelo governo da Costa Rica, que chamou seu embaixador em Manágua para consultas.
A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), liderada por Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, comanda o país desde que aniquilou a oposição interna após protestos em 2018. De acordo com opositores, o regime intensificou a repressão, incluindo prisões, exílio forçado e a cassação da nacionalidade de cerca de 450 pessoas. Nas últimas eleições, em novembro de 2021, Ortega foi reeleito após a prisão de principais adversários.
Reformas constitucionais aprovadas no final de 2024 ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevaram Murillo à condição de copresidente. Washington mantém sanções ao governo, como restrições de visto a mais de 2.350 autoridades e familiares. A bandeira da FSLN foi instituída como símbolo nacional, e a Nicarágua definida como Estado “revolucionário” e “socialista”.





