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EUA estudam novas sanções a brasileiros e empresas com ligações a PCC e CV


Da redação

Autoridades dos Estados Unidos preparam sanções contra pessoas, empresas e instituições brasileiras, inclusive com atuação política, que tenham ligação com facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A medida seria baseada em investigações conduzidas pelo Departamento do Tesouro, Departamento de Justiça e FBI, com monitoramento realizado há alguns meses visando rastrear o fluxo financeiro do PCC e do CV nos Estados Unidos.

Segundo autoridades americanas, o cruzamento de dados busca identificar relações dessas facções com residentes no Brasil e suas conexões locais. A gestão de Donald Trump enviou documento ao Congresso americano afirmando que PCC e CV transformaram o Brasil em um “hub para os fluxos globais de cocaína” e representam ameaça à segurança internacional, além de cobrar “medidas agressivas” do governo brasileiro para combater os grupos. O Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula (PT) rebateu dizendo que a gestão americana ignora iniciativas já adotadas pelo Brasil, bem como a cooperação bilateral.

No primeiro semestre, os Estados Unidos classificaram PCC e CV como “terrorista global especialmente designado” (SDGT) e “organização terrorista estrangeira” (FTO). Isso ampliou ferramentas para bloqueio de ativos e aplicação de sanções a indivíduos e empresas suspeitos de manter relações com as facções. Em julho, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão ligado ao Tesouro, anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa acusadas de participação em esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Ações brasileiras contra as facções incluem a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo. A investigação aponta que 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista seriam controladas, em tese, pelo PCC. Entre os alvos está Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal, que foi preso por ordem judicial. Leite negou ligação com a facção e com as empresas investigadas.