Da redação
Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, mesmo após meses de negociações entre os dois países e diálogos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A confirmação da medida ocorreu na quarta-feira (15), conforme o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que afirmou nas redes sociais que Lula “colocou o próprio ego à frente” da construção de um acordo e que o Brasil não negociou “de boa fé”. Segundo Rubio, as tarifas são o “preço” pelas posições adotadas pelo presidente brasileiro.
A declaração de Rubio fornece argumentos para a campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que responsabiliza Lula pelas tarifas. No entanto, conforme os dados disponíveis, sanções semelhantes foram defendidas pela família de Flávio, principalmente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que atuou junto ao governo dos Estados Unidos pela implementação das medidas. As tarifas afetam produtos manufaturados, como etanol, calçados e móveis.
Levantamentos do instituto Genial/Quaest indicam que Flávio perdeu apoio entre eleitores em função de seu posicionamento sobre as sobretaxas, enquanto Lula apresenta tendência de ascensão nas pesquisas. No segundo turno, a diferença entre os dois é de oito pontos percentuais, fora da margem de erro. Já em outro cenário, pesquisa PoderData/Aya mostra empate técnico, com Lula registrando 45% das intenções de voto e Flávio, 43%.
Ainda nesta semana, a campanha de Flávio enfrentou novo desgaste com a divulgação de foto em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, envolvido no escândalo do banco Master. Sicário chefiava um grupo acusado de ações violentas em defesa dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio alegou inicialmente não conhecer Sicário e, depois, atribuiu a imagem a manipulação por inteligência artificial.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aprovou nesta semana proposta de emenda constitucional que institui aposentadoria especial para agentes de saúde, estimando impacto de R$ 30 bilhões em dez anos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou preocupação com os efeitos da medida nos gastos públicos e, de acordo com a jornalista Míriam Leitão, Alcolumbre teria se comprometido a não promulgar o texto até o final do ano.




