Da redação do Conectado ao Poder
Apoio da cúpula da Assembleia de Deus ao pré-candidato do PSD, hoje em terceiro lugar, indica aposta em mudança do cenário eleitoral
Evangélicos ligados à cúpula nacional da Assembleia de Deus passaram a sinalizar apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), movimento que, nos últimos dias, vem sendo tratado por lideranças religiosas e interlocutores políticos como um fator capaz de impulsionar o pré-candidato na corrida presidencial, diante da capilaridade da denominação no país e da influência de seus principais bispos sobre diferentes segmentos do eleitorado evangélico.
O gesto envolve dirigentes como Manuel Ferreira e Samuel Ferreira, pai e filho, cujos posicionamentos costumam repercutir para além das igrejas da própria Assembleia de Deus. A avaliação entre aliados de Caiado é que a aproximação amplia o espaço do governador junto ao eleitor evangélico, num cenário em que parte desse público tem sido associado ao bolsonarismo, mas em que também há disputa por outras correntes da direita.
O apoio é interpretado, por pessoas que acompanham as conversas, como uma aposta em um nome que ainda não aparece na dianteira em levantamentos de intenção de voto, mas que busca ganhar tração com alianças e agendas de pré-campanha. A leitura desses interlocutores é que a decisão de lideranças religiosas de se engajar com um candidato em posição intermediária no momento indica expectativa de mudança do quadro ao longo dos próximos meses.
Na arena eleitoral, o peso dos evangélicos é frequentemente apontado como decisivo em disputas nacionais por conta da presença territorial das igrejas, da comunicação direta com fiéis e da capacidade de mobilização em eventos e redes sociais. No caso específico da Assembleia de Deus, dirigentes e pastores têm influência em múltiplas regiões e tendem a pautar debates locais, o que pode reverberar em campanhas majoritárias.
Nos bastidores, a articulação com Caiado tem sido citada como parte de um esforço de lideranças religiosas para consolidar um canal de diálogo com um projeto presidencial que se apresenta como alternativa na direita, apoiado no histórico político e na experiência de gestão do governador. Aliados do pré-candidato afirmam que a estratégia passa por ampliar pontes com segmentos conservadores, sem limitar a campanha a um único campo de apoio.
A movimentação ocorre enquanto o cenário nacional segue marcado pela presença de nomes já consolidados no debate eleitoral, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), frequentemente citados em pesquisas como referências nos seus respectivos campos. Nesse contexto, a aposta de setores evangélicos em Caiado é vista como um elemento que pode alterar a dinâmica de curto prazo, especialmente se o apoio se converter em agenda pública, atos e comunicação voltada a esse eleitorado.






