Da redação
O presidente Lula (PT), de 80 anos, tem usado aparições em vídeos de exercícios e caminhadas em agendas oficiais para demonstrar disposição e rebater críticas relacionadas à sua idade avançada. A estratégia ocorre em meio ao atual mandato, que teve início em janeiro de 2023, e busca fortalecer sua imagem pública diante dos desafios políticos.
Na semana passada, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, publicou imagens do presidente treinando sem camisa às 6h. Conforme especialistas, a questão etária é só parte do cenário atual. A longa trajetória de Lula gera debate sobre possível fadiga de material, termo do marketing político que se refere ao esgotamento de uma liderança.
Lula é o terceiro líder que mais tempo ocupou o cargo máximo no país. Completará 12 anos na Presidência ao final de 2026, ficando atrás apenas de Dom Pedro 2º e Getúlio Vargas no registro histórico nacional. Participou de sete de nove eleições presidenciais desde 1989 e orbitou o poder em quase todas as disputas do período democrático recente.
Segundo Paulo Loiola, consultor de marketing eleitoral, “o tempo por si só não é fator determinante para o desgaste, mas crises acumuladas pelo PT, como o mensalão e a Lava Jato, além do trabalho muito bem estruturado da oposição”, impactam o quadro. Lucas Pimenta, da área de comunicação eleitoral, acrescenta que Lula sofre por transparecer uma visão anacrônica do mercado de trabalho.
Para Pimenta, “Lula não se comunica com um novo trabalhador brasileiro” e encontra dificuldade para dialogar com segmentos que valorizam autonomia e empreendedorismo. Dados do Datafolha indicam que 38% avaliam negativamente o governo, enquanto 32% aprovam. O especialista observa ainda desgaste por gafes e episódios considerados desatualizados.
O cientista político Leonardo Belinelli atribui a longevidade de Lula ao sucesso de políticas de inclusão, mas ressalta que a repetição do discurso representa risco. Comparando com Vargas, afirma que ambos ampliaram cidadania sem ruptura com setores dominantes. A alternância de poder, comum na América Latina, coloca em pauta o cansaço político e novos desafios eleitorais.





