Da redação
Casais brasileiros têm enfrentado períodos prolongados de ausência de intimidade, situação que especialistas apontam como indicador de crise na relação. Segundo a terapeuta familiar Aline Cantarelli, esse distanciamento é um sinal de que o casal já havia se afastado anteriormente. O tema ganha destaque diante do aumento dos divórcios no Brasil em 2024.
Dados do IBGE apontam que houve 428.301 divórcios registrados no país em 2024, o que reforça a relevância do debate sobre a saúde dos relacionamentos. Para a terapeuta, a intimidade, ou a falta dela, age como termômetro do diálogo e da conexão entre os parceiros em meio às rotinas intensas.
Aline Cantarelli explica que o silêncio e a ausência de relações não são necessariamente as causas de uma crise, mas apenas sintomas de um distanciamento já existente. “Quando um casal está sem relação, já está em crise. Isso não significa que o casamento está fadado ao divórcio”, alerta a especialista.
Segundo ela, a intimidade é resultado de pequenas atitudes cotidianas, como demonstrações de afeto. “Construir intimidade dá trabalho. Não é espontâneo que surge um beijo ou um abraço. Às vezes, é preciso esforço intencional”, ressalta. O uso de afastamento como punição tende a agravar desentendimentos e ampliar a insatisfação no relacionamento.
A terapeuta recomenda o diálogo direto e respeitoso como alternativa à chamada “greve de relação”. Ela destaca que conversas francas, sem cobranças ou posturas defensivas, são fundamentais para reconstruir a vida a dois e evitar o término precipitado. O convite à autodescoberta é apontado como caminho para a renovação do vínculo.
Para iniciar mudanças positivas, a orientação é utilizar frases que expressem sentimentos e preocupações sem acusações, como “sinto que estamos distantes”. Ao adotar uma postura respeitosa e afetiva, conforme Aline Cantarelli, o casal potencializa a reconstrução de sua intimidade e fortalece a parceria.




