Da redação
Familiares das vítimas dos dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na Venezuela cobram das autoridades mais agilidade na recuperação dos corpos. O número de mortos reportado oficialmente até a quinta-feira ultrapassa 2.500, com a maioria dos óbitos em La Guaira, área costeira próxima a Caracas.
Segundo informações de equipes de resgate, mesmo nove dias após o desastre, parentes ainda buscam notícias de possíveis sobreviventes, apesar de a probabilidade ser considerada remota. “Até que eu não recupere os corpos, não vou ficar tranquilo”, afirmou José Francisco Liendo, de 50 anos, que tem familiares sob os escombros em Caraballeda. Muitos denunciam falta de apoio e relataram ter sido necessário apelar a voluntários para tentar localizar vítimas.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que o estado de La Guaira foi militarizado para evitar tumultos e interferências nas operações. “Quem quiser auditar, a realidade está à disposição”, afirmou Rodríguez, que também negou a possibilidade de sepultamentos em valas comuns e ordenou a devida identificação dos corpos. O governo não informou o número oficial de desaparecidos, mas estimativas das Nações Unidas apontam até 50 mil desaparecidos e milhões de desabrigados.
Moradores relataram a ausência do Estado nos primeiros dias após os terremotos, indicando que vizinhos e voluntários lideraram as buscas iniciais. No porto de La Guaira, um necrotério improvisado atende às famílias que aguardam a liberação de corpos. Diversas pessoas também protestaram contra a falta de equipamentos adequados para a retirada dos mortos em meio aos escombros.




