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FAO e WFP pedem US$ 54 milhões para crise do El Niño no sul africano


Da redação

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês) afirmam necessitar de US$ 54 milhões para implementar medidas preventivas em Moçambique, Madagascar, Malaui e Zimbábue, mas ainda enfrentam um déficit de US$ 42 milhões para viabilizar a operação.

De acordo com Domingos Reane, oficial de Análise de Vulnerabilidade e Mapeamento do WFP em Moçambique, o atual fenômeno El Niño pode ser um dos mais intensos das últimas décadas. Segundo ele, cerca de 3,7 milhões de moçambicanos podem ser afetados, sendo a fase mais crítica prevista para o fim deste ano, com impactos até fevereiro de 2027. “Usamos informações climáticas, dados populacionais e indicadores de vulnerabilidade para estimar a população atingida durante esta época de El Niño”, explica Reane.

Khalid Cassam, especialista de Programas na FAO em Moçambique, enfatiza a urgência de ações antecipadas. “Um dólar investido em ação antecipada diminui cerca de sete dólares na resposta”, afirma. Ele destaca que medidas como sistemas de alerta precoce, agricultura resiliente ao clima e apoio a agricultores vulneráveis podem reduzir perdas econômicas e humanas. A FAO Moçambique solicita US$ 10 milhões do valor total, mas ainda precisa levantar US$ 8 milhões para apoiar culturas, pecuária, acesso à água e práticas resistentes à seca no país.

Segundo Reane, a maioria da população moçambicana depende da agricultura de sequeiro, tornando o país especialmente suscetível a choques do El Niño, com risco de aumento do preço dos alimentos e escassez de água. Dados do Unicef indicam que cerca de 12 milhões de crianças vivem em zonas já expostas à seca, especialmente nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Manica, Sofala, Tete, Nampula e Cabo Delgado.