Início Distrito Federal Fechamento de lojas e insegurança esvaziam Avenida Comercial Norte em Taguatinga

Fechamento de lojas e insegurança esvaziam Avenida Comercial Norte em Taguatinga


Da redação

A Avenida Comercial Norte, em Taguatinga, no Distrito Federal, enfrenta fechamento em massa de lojas, com aumento de imóveis desocupados e queda no valor dos aluguéis. O fenômeno, observado principalmente em 2023 e 2024, levanta preocupações sobre o esvaziamento urbano e impacta comerciantes, consumidores e profissionais do setor imobiliário local.

Segundo Hélio Eustáquio da Silva, proprietário da Hélio Imóveis, a crise resulta de fatores como carga tributária elevada, mudanças no comportamento do consumidor e migração do comércio para shopping centers. Ele destaca: “O tempo médio para locação na área pode girar em torno de oito meses. O eventual interessado encontra muitas opções vazias.”

O corretor ressalta que o IPTU cobrado é considerado exorbitante por comerciantes e não corresponde ao estado atual da avenida. “Hoje, a Comercial Norte não é mais vista como um investimento atraente. Essa carga tributária está totalmente fora da realidade e das possibilidades dos comerciantes”, diz Eustáquio, citando margens de lucro cada vez menores.

Além dos custos, a sensação de insegurança aumentou na região. Alisson David, que trabalha no setor de vestuário masculino, relata que o movimento caiu inclusive nos meses tradicionalmente fortes. “Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa muito”, afirma. Ele pede maior presença do poder público para melhorar o ambiente.

O atendente José Pereira, que trabalha em um brechó local, relata o aumento de pessoas em situação de rua e sua influência negativa no fluxo de clientes: “Quase todos os dias vemos muitos moradores de rua, até deitados na porta das lojas. Isso afasta quem precisa comprar”, afirma. Apesar das dificuldades, ele descarta migrar para o atendimento digital.

A Administração Regional de Taguatinga informa que não possui mapeamento do número exato de lojas fechadas. O órgão atribui a crise às mudanças desencadeadas pela pandemia, como o crescimento do comércio eletrônico e a migração de empresários para bairros próximos. Um projeto de revitalização tramita atualmente na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação.