Da redação
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que pretende acabar com as eleições no país, conforme informação das autoridades locais. O posicionamento provocou reações na oposição brasileira, que passou a cobrar uma manifestação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo integrantes da equipe de campanha, Lula tem evitado comentar o tema para não repercutir o assunto em cenários eleitorais no Brasil.
A estratégia dos petistas é tratar a relação com Ortega de maneira marginal, priorizando temas de política externa voltados à soberania nacional. Orientadores da campanha preparam respostas caso Lula seja questionado sobre o governo nicaraguense, baseadas em três pontos: distanciamento diplomático desde a expulsão do embaixador brasileiro em Manágua em 2024; recusa à “crítica seletiva” de governos estrangeiros; e defesa da democracia interna, com críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro ocorridos na semana passada.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores manifestou preocupação com o anúncio de Ortega, destacando que “a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso”. No mesmo dia, Rosario Murillo, nomeada “co-presidente” e esposa de Ortega, afirmou que o regime prepara “eleições próprias”, sem influência dos Estados Unidos.
O episódio remete a polêmicas anteriores envolvendo Lula e Ortega, como a declaração dada em entrevista a um veículo espanhol em que o presidente brasileiro comparou o tempo de mandato de Angela Merkel aos de Ortega. Setores do PT, como ressaltou Alberto Cantalice, presidente da Fundação Perseu Abramo, consideram que o apoio da esquerda à Revolução Sandinista pertence ao passado e criticam o atual regime nicaraguense.





