Da redação
O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) divulgou nova edição do Atlas da Mobilidade Social, plataforma interativa criada em parceria com o Prospera Lab, que revela a baixa mobilidade social no Brasil. Segundo a pesquisa, 56,5% dos filhos dos 25% mais ricos permanecem nesse grupo, enquanto 30,88% chegam aos 10% mais ricos. Apenas 8,3% dos filhos dos 25% mais pobres conseguem ascender e só 1,28% atinge o grupo dos 10% com maior renda.
De acordo com o presidente do Imds, Paulo Tafner, “a renda dos pais é um determinante muito forte do destino dos filhos”. O levantamento agora inclui dois períodos de nascimento, entre 1983 e 1987, e entre 1988 e 1990, permitindo a comparação geracional. Entre os filhos de pais mais pobres, a chance de chegar ao topo passou de 7,9% para 8,8%. Para filhos de famílias com renda média, esse percentual saltou de 16,6% para 18,6%, mudança considerada pequena pelos pesquisadores.
A análise destaca desigualdades de raça e gênero: 36,32% dos brancos nascidos pobres permanecem nesse grupo, ante 51,64% dos não brancos. Entre as mulheres de famílias mais pobres, 65% continuaram na mesma faixa, enquanto entre homens a taxa é de 32,95%. O recorte mostra que 69% das mulheres não brancas permanecem entre as mais pobres, frente a 52,9% das mulheres brancas.
O estudo utiliza dados da Receita Federal, Ministérios do Trabalho e Emprego, do Desenvolvimento Social e pesquisas do IBGE, segundo artigo acadêmico “Intergenerational Mobility in the Land of Inequality” (Britto et al., 2025). Os grupos de renda são definidos pela distribuição nacional e incluem indicadores como educação e mercado de trabalho. Segundo os dados, o Acre tem a maior persistência da pobreza, com 62% dos filhos de pobres permanecendo nessa condição.





