Da redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que outros países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis para as eleições” durante evento com diplomatas, alegando preocupação com a transparência das urnas eletrônicas e defendendo a presença de pessoas técnicas para acompanhar o pleito. No mesmo evento, Bolsonaro associou, sem provas, as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic.
Segundo organizações internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e The Carter Center, as eleições brasileiras já são monitoradas por missões reconhecidas pelo profissionalismo e independência. Essas missões avaliam o funcionamento da Justiça Eleitoral, financiamento de campanhas, registro de eleitores e contagem de votos, geralmente iniciando semanas ou meses antes do pleito.
A partir dos anos 2000, proliferaram observadores eleitorais sem qualidade técnica, chamados de “sombra” ou “zumbis”, frequentemente convidados por governantes para legitimar processos eleitorais questionados. A cientista política Susan D. Hyde, da Universidade da Califórnia, destaca que autocratas usam observadores para promover uma fachada democrática em contextos de eleições pouco transparentes.
Em 2024, a ONG Plataforma Europeia para Eleições Democráticas relatou que o presidente russo Vladimir Putin convidou pelo menos 150 observadores “fake” para monitorar pleitos, recusando instituições de prestígio como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). O Foro de Madri, ligado à direita internacional e a figuras como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), realizou missões em dez países latino-americanos, mas ainda não no Brasil.





