Da redação
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, ordenou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A medida integra investigação decorrente da Operação Transparência, que apura suposto envolvimento ilícito de Cunha no direcionamento de verbas públicas. A decisão, datada de segunda-feira (6), foi divulgada no domingo (12).
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que Cunha atuava como “vetor relevante” no remanejamento de emendas, com a ajuda da servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Segundo as investigações, ela atuava como braço direito do ex-deputado na Câmara dos Deputados, ignorando procedimentos formais para executar suas decisões.
Análises de mensagens telemáticas apontam que Cunha coordenava diretamente a alocação de pelo menos 29 emendas da Comissão de Saúde, totalizando R$ 6,15 milhões e envolvendo cidades de Minas Gerais. Em sua decisão, Flávio Dino afirmou que Cunha “revela contar com uma cota informal de valores, direcionada conforme orientações e interesses políticos no Estado de Minas”, com frequentes trocas de municípios e indicações.
O ministro suspendeu também a execução de todas as despesas públicas associadas às emendas investigadas e intimou a Câmara dos Deputados a fornecer, no prazo de dez dias, documentação interna das tramitações. Conforme Dino, o orçamento secreto “não pode degradar o erário à condição de patrimônio privado” e, segundo ele, a conduta investigada configura, em tese, o crime de peculato-desvio.




